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Reynolds

A espinha dorsal do "aço que pedala"

Quando alguém me pergunta por que falar de Reynolds com respeito, eu volto lá pra Birmingham, 1898. A empresa nasce como Patent Butted Tube Co. e coloca no mapa a ideia do tubo "butted" — mais grosso nas pontas, mais fino no meio — que permite quadro leve sem abrir mão de resistência. Alguns anos depois isso vira linguagem do ciclismo de alto nível. Em 1935, surge o 531, que vira sinônimo de quadro bom por décadas: corrida, turismo, tudo. É a fase em que "aço Reynolds" e "bicicleta séria" quase viram a mesma frase.

Nos anos 1970, a marca dá outro salto com o 753 — o primeiro tubeset tratado termicamente feito pra corrida — e inaugura uma era em que o aço de bicicleta fica mais fino, rígido e leve sem virar peça frágil (com a particularidade de exigir brasagem de prata e mão treinada). Já em 1995, chega o 853, o primeiro aço air-hardening comercial para quadros: você solda/bras a, esfria ao ar, e a zona afetada pelo calor volta mais forte — isso muda a vida de quem fabrica e de quem pedala, porque melhora a fadiga nas juntas e permite paredes mais finas com segurança. Logo depois vem o 631 (versão "cold-worked" do 853), e o 725 (Cr-Mo 4130 heat-treated).

No século XXI, a Reynolds leva o aço lá em cima com os inox 953 (2005/06) e 931: o 953 é um maraging stainless que pode passar de 2000 MPa de UTS — números de "superliga" — enquanto o 931 (17-4PH) fica na casa de 1200–1350 MPa e abre opções de espessuras finas com durabilidade e visual inox. Não é só brilho: é resistência real e cronologia de inovação contínua.

Em resumo: a Reynolds não "faz tubos"; ela ditou como o aço moderno virou bicicleta — de 531 a 853, de 753 a 953. É por isso que, quando escolho material pra um quadro seu, penso nesses degraus como ferramenta de ajuste fino: resposta, conforto, vida à fadiga e margem de upgrade.

Foco atual e modelos

  • 525 / 520: Cr-Mo "entry butted". Mandrel-butted, perfis honestos, espessuras um pouco maiores => quadro robusto, fácil de reparar, excelente longevidade.
  • 725: Cr-Mo 4130 heat-treated. Mesmo químico do 525, porém tratado termicamente; dá ~+50% de resistência e permite paredes mais finas.
  • 631: air-hardening "cold-worked". Mesma química do 853, porém fortalecido por encruamento. A junta ganha resistência ao resfriar ao ar.
  • 853: air-hardening heat-treated (o "ponto doce"). O clássico moderno: alta resistência, fortalece a ZAC após soldagem/brasagem, permite espessuras mínimas com fadiga melhor.
  • 931 / 953: inox 17-4PH e inox maraging (a "superliga").

Destaques práticos

  • Air-hardening (631/853): a ZAC endurece ao resfriar ao ar => +30-60% de vida à fadiga versus Cr-Mo comum.
  • Tratado vs. não tratado (725 vs. 525): o tratamento do 725 libera peso menor mantendo resistência.
  • Inox (931/953): além da corrosão muito baixa, permitem acabamentos impecáveis (escovado/polido) e paredes finíssimas.
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